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segunda-feira, maio 16, 2005

Araucária será tema principal da Semana da Mata Atlântica em Campos do Jordão

A luta em defesa da principal espécie da Floresta com Araucárias deverá ter mais uma batalha vencida, com a criação de 8 Unidades de Conservação no Paraná e em Santa Catarina

A Semana da Mata Atlântica acontece neste ano entre 18 e 22 de maio, em Campos do Jordão, município paulista conhecido por sua bela paisagem pontuada de araucárias. O evento é uma parceria da Rede de ONGs da Mata Atlântica (RMA) e Governo Federal, com apoio da Secretaria Estadual do Meio Ambiente de São Paulo e Prefeitura de Campos do Jordão. O local foi escolhido porque a araucária (Araucaria angustifolia), espécie ameaçada de extinção, será o centro das discussões do encontro, que reúne representantes de ONGs dos 17 estados que possuem Mata Atlântica e antecede o dia da Mata Atlântica, comemorado em 27 de maio. A grande expectativa é que, durante o evento, a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anuncie a criação de 8 unidades de conservação na Floresta com Araucárias, nos estados do Paraná e Santa Catarina.

As medidas federais e estaduais de proteção à Floresta com Araucárias serão anunciadas durante a Sessão Solene do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), que acontecerá no dia 19 de maio, das 10h30 às 13 horas, no auditório Cláudio Santoro. Além da ministra Marina Silva, estarão presentes o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin; o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Cláudio Langone; o presidente do Ibama, Marcus Barros; o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo Ribeiro Capobianco; o secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, professor José Goldemberg; o prefeito de Campos do Jordão, João Paulo Ismael; a coordenadora geral da RMA, Miriam Prochnow; o presidente do Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, Clayton Ferreira Lino, entre outros.

"A Rede Mata Atlântica vem trabalhando há tempos com a araucária e ela ser o foco da Semana da Mata Atlântica é um coroamento do processo, principalmente no que se refere à criação das oito novas áreas de conservação propostas por iniciativas e estudos que começaram em 2002", comemora Miriam Prochnow.

Além da reunião extraordinária do Conama, que deverá instituir, ainda, o Dia da Araucária, a Semana da Mata Atlântica contará com a Reunião da Coordenação da Rede de ONGs da Mata Atlântica, Encontro da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema) e Ministério do Meio Ambiente, Seminário: Estratégias de Conservação e Recuperação da Mata Atlântica, Encontro Nacional da Rede de ONGs da Mata Atlântica, além de eventos paralelos como plantação de bosque de araucárias, visitação às trilhas do Parque Estadual de Campos do Jordão, exposições e lançamentos de publicações e oficina de pintura com o tema Floresta de Araucárias. Serão entregues, ainda, dos prêmios Murique, do Conselho da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, e Amigo da Mata Atlântica, da Rede de ONGs da Mata Atlântica.

Espécie ameaçada

A araucária, também conhecida como pinheiro-brasileiro ou pinheiro-do-paraná, é uma espécie muito antiga e endêmica da Mata Atlântica. Chegou a responder por mais de 40% das árvores existentes na Floresta Ombrófila Mista ou Floresta com Araucárias, que cobria originalmente em torno de 200 mil Km² do território brasileiro, principalmente nos estados do Sul e Sudeste, em regiões de clima subtropical. Só no Paraná, cobria 40% do território, em Santa Catarina, 30%, e no Rio Grande do Sul, 25%.
A intensa exploração da araucária, cuja madeira é muito apreciada pela leveza e perfeição e chegou a estar no topo da lista das exportações brasileiras nas décadas de 50 e 60, levou essa espécie - e por conseqüência seu ecossistema - à beira da extinção. Hoje, restam menos de 3% de sua área original, incluindo florestas exploradas e matas em regeneração. Menos de 1% guarda as características da floresta primitiva. No Paraná, restam apenas 0,8% de remanescentes em estágio avançado de recuperação. Em Santa Catarina, esse percentual é ainda mais baixo, 0,7%.
A situação extrema da araucária reforça a necessidade de proteção e recuperação da Mata Atlântica como um todo. É esse bioma que regula o fluxo dos mananciais hídricos que abastecem as cidades e principais metrópoles brasileiras, além de assegurar a fertilidade do solo, controlar o clima, proteger as encostas das serras, além de preservar um patrimônio histórico e cultural imenso em seus domínios. Sua importância não impediu que a Mata Atlântica fosse reduzida a apenas 7% de sua cobertura original, e seus remanescentes, extremamente fragmentados. Se é um dos biomas com a maior biodiversidade do Planeta, é também um dos mais ameaçados, com quase 70% das 395 espécies em perigo de extinção da lista oficial do Ibama, além de figurar entre os cinco primeiros colocados na lista dos Hotspots mundiais, áreas de grande riqueza biológica, mas com altos índices de ameaça de extinção.
Durante a Semana, além da araucária, estarão na pauta das mesas redondas, debates e reuniões temas como as estratégias de conservação e recuperação da Mata Atlântica, o que inclui a criação de UCs e corredores ecológicos, educação ambiental, criação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), além de pontos importantes como a relação entre água e florestas, mapeamento, monitoramento e fiscalização desse bioma.