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quarta-feira, maio 04, 2005

Projetos investem na recomposição do palmito Juçara

A palmeira juçara (Eutherpe edulis) é original da Mata Atlântica e na época do descobrimento do Brasil, ocorria desde o litoral até altitudes acima dos 1.000 metros. Mas atualmente só é encontrada em unidades de conservação. Para o homem, a utilidade vai além da produção de palmito para a alimentação, pois seu tronco serve para a fabricação de ripas para a construção de telhados, paredes e assoalhos das casas. Para a fauna da Mata Atlântica, os frutos da palmeira são ricos em pró-vitamina A, ferro e água, substâncias importantes na produção de energia e para regular o intestino animal na estação seca. Vários animais são encontrados em palmitais, desde antas até mutuns e papagaios.Uma das atividades desenvolvidas pela organização não-governamental (ONG) Amainan Brasil é o Projeto Juçara, realizado em parceria com a empresa Kazita, que comercializa palmitos juçara dentro dos padrões legais e de vigilância sanitária. Este projeto visa a recomposição dos estoques da palmeira juçara na Mata Atlântica através do desenvolvimento e fomento do manejo de áreas de floresta natural. “Temos duas áreas principais onde realizamos o projeto, uma é em Sete Barras, no Vale do Ribeira, e a outra é no sul da Bahia”, diz o Diretor da ONG, Paulo Sgroi.Um dos motivos para a escassez da planta em locais onde era abundante é a exploração inadequada e o lento crescimento e frutificação, que ocorre em média oito anos após o plantio. Outras palmeiras como o açaí (Eutherpe olerácea) e a pupunha (Bactris gasipaes) são usadas em tentativas de substituição da juçara na produção de palmito. Mas de acordo com Sgroi, essas substituições não são vantajosas como parecem, apesar de atrativos como o crescimento mais rápido que o da palmeira juçara e o fato de não precisarem ser replantadas. “A pupunha, por exemplo, precisa de sol para crescer o que pode exigir desmatamento de áreas florestadas para a plantação da palmeira. Tanto o açaí como a pupunha são originais da Amazônia e se plantados perto de florestas nativas podem trazer novas pragas”, disse.O plano de manejo sustentado em áreas de plantação de palmito exige o corte correto da planta para evitar a extinção. O corte clandestino é um crime ambiental que ainda ocorre. A Unidade de Conservação Floresta Estadual do Palmito, localizada em Paranaguá, litoral do Paraná, tem uma área de 530 hectares onde a espécie de palmeira juçara é predominante. “Por mais que tenhamos equipes de fiscalização na área, a situação é complicada. Moradores dos arredores da floresta sem alternativa de renda, entram na mata para coletar cipós ou palmitos, o que constitui crime ambiental. Uma pequena porcentagem dessas pessoas vive da venda do palmito ilegal, que pode gerar diversas doenças, como o botulismo - infecção alimentar causada por bactérias desenvolvidas em locais sem oxigênio, como vidros de conserva -, devido à manipulação e processamento do alimento sem respeitar normas sanitárias”, explicou o Gerente da Floresta Estadual do Palmito, Ozeas Gonçalves. Além do palmito, a polpa do fruto da juçara também pode ser explorada, o que já é feito há anos com palmeiras da Amazônia como o açaí. A polpa, além de ter maior valor econômico que o palmito, pode ser extraída e manter a palmeira viva, o que permite o uso sustentável das florestas nativas. O Projeto Juçara também esta apostando no incentivo desta atividade. A ONG Amainan também oferece sementes a um preço subsidiado, para incentivar proprietários de terras que queiram cultivar o palmito juçara de modo sustentável. O e-mail para contato é amainan@amainan.org